15 de outubro de 2012

Insatisfação crônica


Aquela luz no fim do túnel já não existia mais - na realidade ela ainda estava lá, mas era só uma mancha esfumaçada e sem graça; não tinha brilho, não tinha cor e muito menos era um motivo para tentar seguir em frente. 

vida nunca é fácil quando todos ao redor parecem iguais, monótonos, e rotineiros. Ela havia se embrenhado tão fundo em seus sonhos, que parecia ter perdido sua alma por lá. Preferia sentar e gangorrar o mais alto possível,  mesmo sabendo que a queda poderia ser grande, mesmo sabendo que a dor poderia ser maior ainda.

Ouviu dizer que vida era feita de escolhas, só não se lembrava de ter escolhido aquilo - mas se era pra ser assim, então que fosse. Era insatisfeita, mas também conformada. Sabia que caminhadas viravam suor, cigarro cinzas e tristeza banhos; banhos prolongados. Banhos que de certa forma lavavam a alma e as lágrimas dos olhos; banhos que deixavam o coração mais leve.

A gente cresce, ama, perde, sofre - e como sofre.


Não queria ser tão humana, e muito menos tão vulnerável!

Nem dá tempo de escolher, mas sobram anos para se arrepender por uma escolha errada - e mesmo sabendo disso de vez em quando se arriscava, e gangorrava cada vez mais alto. Depois dava pena de ver aquela menina, vez ou outra estirada no chão, com a cara borrada, arranhando o grito e tremendo feito idiota, toda sem jeito, tentando por a culpa em algo ou alguém: no sistema, nas circunstâncias, no universo, no destino, no amor ou na ciência.

E se alguém tivesse avisado bem no comecinho que a corrente arrebentaria - ela teria se preparado? Acho que não, era moleca demais para isso!


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